Web Summit 2026: o que deve procurar quem decide em saúde

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ANTEVISÃO · WEB SUMMIT 2026

Por Paulo Nunes de Abreu, Diretor do Fórum Hospital do Futuro

De 9 a 12 de novembro, Lisboa volta a receber o Web Summit, na MEO Arena e na FIL, no Parque das Nações. Durante quatro dias, a maior conferência tecnológica da Europa junta fundadores, investidores, grandes empresas e decisores políticos de dezenas de países. A saúde não é o tema central do evento, mas está presente: no programa dedicado à healthtech e ao bem-estar, nas startups espalhadas pelos pavilhões e, sobretudo, em quase todas as conversas sobre inteligência artificial.

Para o Fórum Hospital do Futuro, a pergunta relevante não é que novidades vão ser anunciadas. É outra: o que pode um conselho de administração hospitalar, um diretor clínico ou um engenheiro clínico trazer de Lisboa que o ajude a decidir melhor em 2027?

O momento torna a pergunta mais pertinente. Com o ciclo do PRR a fechar, o SNS sai de um período de investimento intenso, em grande parte de substituição de equipamentos, e entra numa fase em que cada euro aplicado em tecnologia terá de ser justificado pelo que transforma, e não apenas pelo que renova. O Web Summit é uma montra extraordinária do que é possível. Cabe a quem gere hospitais separar o possível do útil.

Quatro perguntas para levar para o Parque das Nações

  1. Que problema clínico ou operacional isto resolve? Uma solução brilhante sem um problema claro no serviço é apenas mais um projeto. A primeira pergunta a fazer a qualquer empresa é qual o indicador que muda, como tempo de espera, demora média, readmissões ou horas de trabalho administrativo, e em quanto.
  2. Integra-se ou acrescenta mais uma ilha? Muitos hospitais portugueses vivem já com dezenas de sistemas que não comunicam entre si. Uma ferramenta que obriga o profissional a abrir mais um ecrã, ou a introduzir os mesmos dados duas vezes, tem um custo escondido que nenhuma demonstração mostra.
  3. Qual é o custo total, e não apenas o preço? Licenças, manutenção, formação, adaptação de processos, dependência do fornecedor e custo de saída. O custo total de propriedade continua a ser o critério mais esquecido nas decisões de investimento em saúde, e o que mais pesa no orçamento dos anos seguintes.
  4. Que evidência existe fora do palco? Um pitch de cinco minutos não é um estudo. Vale a pena perguntar por resultados em contexto real, por hospitais europeus comparáveis que já utilizam a solução e por quem esteve envolvido na sua validação clínica.

Onde estar atento

Nesta edição, quatro temas merecem particular atenção de quem gere cuidados de saúde: a inteligência artificial generativa e os chamados agentes aplicados a processos clínicos e administrativos; os dados de saúde e a preparação para o Espaço Europeu de Dados de Saúde; os cuidados fora do hospital, da monitorização remota à hospitalização domiciliária; e a cibersegurança, que deixou de ser um assunto técnico para ser um risco de continuidade dos cuidados.

A cobertura do Fórum Hospital do Futuro

Ao longo dos quatro dias, o Fórum Hospital do Futuro acompanhará o Web Summit com o olhar que define a sua linha editorial: a gestão clínica e a decisão informada. Publicaremos sínteses, entrevistas a quem está no terreno e uma edição especial da nossa e-news dedicada ao que fica de útil para o SNS.

Se vai estar no Web Summit e trabalha em saúde, num hospital, numa startup ou numa instituição pública, gostaríamos de o ouvir. Escreva-nos.

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