Dia Europeu do Cuidador Informal: especialistas defendem revisão do Estatuto e maior articulação entre saúde , segurança social e trabalho

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O Estatuto do Cuidador Informal foi um passo importante no reconhecimento de quem cuida, mas deixa ainda muitas necessidades por responder, o que só mudará com uma articulação mais estreita entre saúde, segurança social e trabalho, foi este o apelo deixado pelos especialistas que se reuniram no encontro “Cuidadores Informais em Portugal: Que políticas públicas precisamos?”, promovido pela Merck no Dia Europeu do Cuidador Informal, em parceria com o Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais.
O encontro, realizado na Fundação do Gil, reuniu doentes, cuidadores, associações, profissionais de saúde e especialistas em políticas públicas e incluiu duas mesas de trabalho, uma dedicada à oncologia e outra às doenças raras. As conclusões e propostas identificadas serão agora integradas num documento de recomendações a apresentar aos decisores políticos.

Na abertura, Rita Reis, Value, Access, Government and Public Affairs Senior Director da Merck Portugal, frisou: “Nesta data tão significativa, queremos ouvir quem está mais próximo dos cuidadores informais, quem conhece verdadeiramente as suas preocupações e desafios e sabe, melhor do que ninguém, aquilo de que precisam. Queremos perceber, em conjunto, que políticas públicas fariam realmente a diferença na vida de quem cuida".

O Prof. Bruno Alves, da Associação Cuidadores Portugal e membro da rede Eurocarers, salientou que o Estatuto continua aquém das necessidades e não chega às famílias mais vulneráveis, A Prof.ª Ana Clara Mendonça e Silva, da mesma associação, sublinhou que o número de cuidadores reconhecidos continua muito abaixo das estimativas e que o seu trabalho poderá valer 5,9 mil milhões de euros (valores de 2023).

Nas mesas de trabalho, a mesa Cuidar em Oncologia destacou como principais problemas a falta de preparação dos cuidadores, a exaustão, os custos, a burocracia e a dificuldade em conciliar trabalho e cuidados. As propostas desta mesa incluem um plano individual de cuidados desde o diagnóstico, apoio psicológico próximo da residência, a revisão do cálculo do apoio ao cuidador e baixas remuneradas. Já a mesa de cuidar em doenças raras considerou que o Estatuto não está adaptado às especificidades destas doenças e que o descanso do cuidador é prioritário, sobretudo quando o cuidado começa em idade pediátrica. Por isso, propôs um plano de descanso desde o início do cuidado, o aumento das atuais cinco horas mensais de apoio e a criação da carreira de assistente pessoal.

Recomendações serão apresentadas aos decisores políticos
As conclusões, apresentadas por Palmira Martins (RD Portugal) e Inês Leão (Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia), foram debatidas num painel com Rita Reis, Prof.ª Ana Escoval, especialista em políticas públicas, e Ângela Carreira, da CITE. O descanso do cuidador e a conciliação com o trabalho surgiram como prioridades comuns.
A fechar o evento, Pedro Moura, diretor-geral da Merck Portugal, alertou que “o reconhecimento legal do Estatuto do Cuidador Informal, por si só, não resolve as dificuldades de quem cuida. O trabalho realizado nesta sessão permite-nos identificar propostas concretas que queremos agora levar aos decisores políticos, reforçando o nosso compromisso no apoio ao Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais.”.