Lisboa, 21 de janeiro de 2026 – A AESE Business School promoveu, a 20 de janeiro, em Lisboa, a Grande Conferência sobre Hospitalização Domiciliária, um encontro que reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater o futuro dos cuidados de saúde em Portugal, num contexto de crescente prestação de cuidados no domicílio.
Partindo da premissa de que a experiência do doente está a mudar profundamente, a conferência centrou-se na forma de garantir cuidados de saúde de excelência fora do ambiente hospitalar, assegurando conforto, segurança e qualidade clínica, ao mesmo tempo em que responde aos desafios estratégicos do sistema de saúde.
O Professor José Fonseca Pires, responsável da AESE Business School pela área da Saúde, considera que: “A Grande Conferência sobre Hospitalização Domiciliária confirmou a relevância deste modelo como resposta estruturante para a sustentabilidade e humanização do sistema de saúde. A AESE assumiu este encontro como um espaço de reflexão, partilha e construção conjunta, reunindo diferentes perspetivas e experiências que apontam caminhos concretos para o futuro dos cuidados em casa.”
Um dos temas centrais foi a transformação digital. Micaela Seemann, da CUF, sublinhou que a tecnologia, por si só, não constitui transformação. “A mudança acontece quando a tecnologia é colocada ao serviço de uma melhoria sustentável do serviço, com maior eficiência e melhor uso de recursos”, referiu, destacando a importância do alinhamento entre profissionais, conhecimento e investimento.
João Marques Gomes, da ULS Cova da Beira, apresentou o caso de sucesso “Hospital sem Paredes”, desenvolvido em parceria com o Hospital Universitário Infanta Leonor, em Madrid. O orador destacou a aposta na diversificação das portas de entrada dos doentes, na agilização da triagem e na redução dos tempos de espera, enquadrando o projeto no conceito de Value-Based Health Care e na necessidade de medir os resultados por meio de indicadores de desempenho.
O papel das lideranças intermédias foi também destacado pela Presidente da PAFIC – Portuguese Association for Integrated Care, Adelaide Belo, que salientou a importância de líderes capazes de mobilizar equipas, criar pontes entre áreas e alinhar incentivos aos objetivos estratégicos das instituições.
A mesa-redonda dedicada ao tema “Saúde em casa”, moderada pela Professora Cátia Sá Guerreiro, da AESE, reuniu diversos protagonistas da hospitalização domiciliária. Pedro Gameiro, Coordenador Nacional de Hospitalização Domiciliária, alertou para as assimetrias existentes no território nacional e defendeu a expansão deste modelo a todo o país, sublinhando a importância da formação das equipas clínicas e da qualidade dos dados para uma tomada de decisão informada.
António Oliveira e Silva, da ULS São João, apresentou a experiência do Hospital de São João nesta área, enquanto Carlos Bibiano, do Hospital Universitário Infanta Leonor, reforçou que a hospitalização domiciliária implica muito mais do que consultas digitais, exigindo tecnologia no domicílio do paciente e planos de acompanhamento personalizados e digitalizados.
O encerramento da conferência esteve a cargo de Francisco Rocha Gonçalves, Secretário de Estado da Gestão da Saúde, que destacou a relevância do tema na agenda social e política, lembrando que a transformação digital é uma prioridade do Governo, nomeadamente por meio do Registo de Saúde Eletrónico Único. O governante sublinhou, ainda, que a hospitalização domiciliária deve preservar valores fundamentais, como a dignidade da pessoa, a compaixão, a solidariedade e o sentido de serviço.
A conferência concluiu que a Hospitalização Domiciliária (HD) pode assumir um papel decisivo na evolução do Serviço Nacional de Saúde, contribuindo para tratar mais e melhor os cidadãos portugueses, com inovação, eficiência e humanização dos cuidados.



